sábado, 7 de maio de 2016

Dei-te o meu corpo

Dei-te o meu corpo
Como quem à cama
Deita o lençol novo, perfumado,
Que por loucura,
Pudor e ousadia,
Foi enrolado,
No meio de tamanha
Confusão.

Dei-te o meu corpo
Para que virasses astronauta
E ocupasses este espaço
Onde agora navegas
E descobres algo novo,
Algo de interessante
E aliciante,
Onde em noite
De chuva de estrelas
Desejas-te ser meu amante.

Dei-te o meu corpo
Para que me conhecesses
Com todos os teus sentidos,
Saberes e travessuras,
Para que em noite de lua
Nova,
Viesses até mim
Em busca de inesquecíveis
Aventuras,
Em que me torturas
Com o teu beijo
Que rasga,
E a tua malícia
Que suaviza,
Em que nua
Atravessas planaltos,
E sonâmbula
Te vestes com pedras
Da rua,
Onde por fim adormeces,
E me esqueces.

Dei-te o meu corpo!



Não me arrependo

Não me arrependo
De te ter deixado
Aí desse lado,
Só, mas habituado
À minha ausência,
Embora não tenha sido
Eu a impor,
Este mau estar,
Esta dor.

Não me arrependo
Pois se tu quisesses
Nada seria igual!
E tu terias mudado,
Mas tu quiseste
Assim,
Agora tudo está
Acabado,
Chegamos ao fim.


Não me arrependo
De cada momento,
De cada sentimento
Que por ti senti,
E na verdade ainda
Sinto,
E quando digo
Que te amo,
Não minto.

Não me arrependo,
Mas se pudesse voltar,
Eu voltava...